MUNDO CORPORATIVO – VIVER MELHOR É IGUAL A TRABALHAR BASTANTE?
Um colega de longa data, o Paulo, teve um desses estalos de lucidez que podem mudar a vida. Como muita gente por aí, o Paulo trabalhava demais. Quinze horas por dia. Em ritmo alucinado. Vivia estressado. Até que, um belo dia, o Paulo leu um artigo sobre qualidade de vida. Percebeu que, se persistisse na rotina paranóica de trabalho, iria acabar tendo um “peripaque”. Assustado, o Paulo desligou o celular e o computador, pegou um papel e uma caneta, e se pôs a escrever o que precisava fazer para ter mais qualidade de vida. Quinze minutos depois, já havia produzido uma lista enorme. Correr de manhã. Ter tempo para a leitura e para um hobby. Praticar esportes. Fazer exercícios de meditação. Dedicar-se à família. Conversar com os filhos. Tirar férias. Viajar.
Para conseguir tudo isso, o Paulo tinha que gerar o óbvio: mais tempo livre. O que não seria tão difícil. Bastava que começasse a chegar e sair do trabalho em horários decentes. Limitasse o expediente a oito horas diárias. Parasse de trabalhar aos sábados. Não levasse trabalho para casa. Não assumisse responsabilidades que não faziam parte da descrição da função.
O Paulo sempre foi conhecido por sua persistência. Conseguiu mudar radicalmente o estilo de vida. Os resultados práticos não demoraram a surgir. Menos de seis meses depois, o Paulo foi despedido. Segundo a empresa, havia perdido o interesse no trabalho. Todas as empresas são a favor da qualidade de vida de seus empregados. E apóiam essas iniciativas. Mas desde que ninguém confunda viver melhor com trabalhar menos.
MAX GEHRINGER
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